Consequências da deficiência de vitaminas e minerais durante a gestação

Para garantir as funções essenciais do organismo como a multiplicação celular, fornecimento de energia e sistema de defesa, nosso corpo conta com o aporte de vitaminas e minerais. Algumas vezes a deficiência desses nutrientes pode ser prejudicial e até mesmo resultar no desenvolvimento de doenças.  Durante a gestação esse assunto requer ainda mais atenção, pois as vitaminas e minerais ingeridos pela mãe devem atender também as necessidades nutricionais do bebê.

Por que isso é importante?

O período gestacional é o momento que ocorre a maior demanda nutricional da vida da mulher. Portanto, devido a mudanças fisiológicas características da gestação, o corpo requer maior quantidade de alguns nutrientes como vitamina B9 (ácido fólico) – para o bom desenvolvimento neural do feto, ferro – essencial na produção de células sanguíneas, dentre outras. Continue lendo esse artigo e confira quais as principais consequências que a falta de vitaminas e minerais pode acarretar durante a gravidez.

Conheça as principais consequências da deficiência de nutrientes durante a gestação

A deficiência de vitaminas e minerais durante a gestação pode gerar uma série de consequências para a mãe e também para o feto, incluindo diabetes gestacional, nascimentos prematuros ou até mesmo o desenvolvimento de complicações durante a infância e vida adulta.

Anemia

A anemia é decorrente da deficiência de certos nutrientes como ácido fólico, vitamina B12 e/ou ferro que pode resultar na menor produção de células vermelhas no sangue e causar sintomas como cansaço, boca seca e alteração na pressão arterial, segundo dados publicados na revista Anemia (2018).
No mundo, cerca de 40% das grávidas são anêmicas sendo 75% devido à deficiência de ferro, conforme Okube e colaboradores (2016). Segundo esse mesmo estudo, a anemia durante a gestação contribui cerca de 20% para as mortes maternas indiretas em países em desenvolvimento. As consequências da anemia durante o período gestacional podem ser prejudiciais ao feto, como o risco de peso reduzido ao nascer, nascimentos prematuros e até mesmo comprometimento cognitivo e motor na infância.

Diabetes gestacional

A diabetes gestacional é definida como a resistência à insulina durante a gravidez devido a alterações metabólicas no corpo da mulher. Segundo o estudo de Hu e colaboradores (2018), esta desordem pode afetar entre 15% – 20% das gestações em todo o mundo. Essa condição traz consequências em longo prazo para mãe e para a criança, como maior predisposição ao desenvolvimento de obesidade e diabetes tipo 2, segundo evidências reportadas na revista Lancet (2009). Além disso, o aumento do risco de pré-eclâmpsia materna – quando há alteração na pressão arterial da mãe – foi relacionado como resultado da diabetes gestacional.
Pesquisas demonstram que diversos fatores podem estar relacionados com um maior risco de desenvolvimento de diabetes gestacional, como a idade materna avançada, sobrepeso ou obesidade da mãe, histórico familiar de diabetes, entre outros. Conforme dados publicados na revista Cellular Physiology and Biochemistry (2018), a deficiência de vitamina D durante a gravidez pode estar relacionada a uma maior predisposição à diabetes gestacional. Isso ocorre devido a essa vitamina ser importante tanto na produção como na secreção de insulina pelo pâncreas. A deficiência de outras vitaminas durante esse período, como a vitamina B12, também foi relacionada a um maior risco de desenvolvimento de diabetes gestacional segundo Lai e colaboradores (2018). 

Asma

A asma é caracterizada como uma doença inflamatória das vias aéreas e inclui como fator de risco, além da influência genética, a exposição alimentar inadequada no pré-natal. Segundo uma pesquisa recente publicada no American Journal of Clinical Nutrition (2018), o excesso de vitamina A (equivalente a 2,5 vezes a ingestão recomendada) durante a gestação pode estar associada ao aumento do risco de desenvolvimento de asma nas crianças. Já o estudo de Wolsk e colaboradores (2017), demonstrou que a deficiência de vitamina D durante este período também pode estar relacionada a este risco aumentado de desenvolvimento de asma e de chiado recorrente no recém nascido.

Como evitar complicações futuras devido à deficiência de nutrientes?

Com base nas possíveis consequências da falta de vitaminas e minerais durante a gestação, é importante atentar à dose correta desses nutrientes a fim de evitar futuras complicações para mãe e para o bebê. Converse com seu médico, mantenha uma alimentação saudável e equilibrada e tenha certeza de estar consumindo a quantidade adequada de vitaminas e minerais na gestação.

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ver Referências

HU L. et al. Maternal Vitamin D Status and Risk of Gestational Diabetes: a Meta-Analysis. Cellular Physiology and Biochemistry, v.45, p. 291–300, 2018.
LAI J.S. et al. High folate and low vitamin B12 status during pregnancy is associated with gestational diabetes mellitus. Clinical Nutrition, v. 37, n. 3, p. 940–947. 2018.
OKUBE O.T et al. Prevalence and Factors Associated with Anaemia among Pregnant Women Attending Antenatal Clinic in the Second and Third Trimesters at Pumwani Maternity Hospital, Kenya. Open Journal of Obstetrics and Gynecology. v.06, n. 1, p. 16-27, 2016.
PARR, C. L. et al. Vitamin A and D intake in pregnancy, infant supplementation, and asthma development: the Norwegian mother and child cohort. American Journal of Clinical Nutrition, v. 107, p. 789-798, 2018.
REECE E.A., LEGUIZAMON G., WIZNITZER A. Gestational diabetes: the need for a common ground. Lancet, n.373 p.1789-1797. 2009.
STEPHEN G. et al. Anaemia in Pregnancy: Prevalence, Risk Factors, and Adverse Perinatal Outcomes in Northern Tanzania. Anemia, v. 2018, p 1-19. 2018.
WOLSK, H. M. et al. Prenatal vitamin D supplementation reduces risk os asthma/recurrent wheeze in early childhood: a combined analysis of two randomized controlled trials. Plos One, v. 12, n. 10, 2017.